Criticize 

07/08/2006 11:16

Temple of Fans

Sexta-feira foi um dos dias mais estranhos da minha vida, ou melhor, uma das noites mais estranhas da minha vida. Após um magnífico workshop, fui jantar com Aquiles Priester. Você pode estar se perguntando: What the hell is Aquiles Priester? E eu lhe respondo, um dos melhores bateristas do mundo (o terceiro melhor se não me engano), baterista das bandas Angra e Hangar (esse negócio de projeto paralelo virou moda mesmo). Você deve estar se perguntando também: O que um dee-jay como eu, que defende a house music com unhas e dentes, foi fazer num workshop que só toca metal? Na verdade nem eu sei direito, mas sempre penso que devo expandir os horizontes e a experiência foi muito válida.
Me deparei com uma escada lotada de guris (cara, não tinha uma guria lá pra ver o workshop) trajando roupas pretas, cabelos compridos, coturnos e tudo o que é de praxe da cultura metaleira. Mas o ponto alto eram os gurizinhos com a camiseta da banda do Aquiles, toque do celular da banda do Aquiles, e tudo mais o que podia do Aquiles. Fanáticos mesmo. Impressionante.
Desci a escada e entrei, era um porão mesmo, uma escola de bateria, mas tudo muito organizado. Como eu estava acompanhando as organizadoras do evento (as únicas mulheres presentes, mas ah!!! eu) entrei direto no camarim. De repente adentra a sala um moço de cabelos compridos e logo ele é apresentado. Era ele mesmo, Aquiles Priest. Eu fiquei pensando, todos os fãs que estavam ali fora dariam um dedo para entrar no camarim do Aquiles, e eu, que nunca tinha ouvido falar do cara, estava ali. Mas faz parte. Fiquei assistindo com um ar de desconfiança o ritual do baterista antes de começar a tocar. Ele percebeu que eu não manjava nada de metal e que era a primeira vez que estava ouvindo falar dele, mas aparentemente levou isso numa boa.
Quando começou o workshop, eu mudei meu conceito sobre o rapaz. Apesar de eu não saber tocar bateria, admiro muito quem sabe, e mais ainda quem sabe tocar como ele. O cara faz jus ao apelido, polvo. Ele toca tão rápido que parece que tem oito braços mesmo. Todos na sala ficaram boquiabertos, inclusive eu. E fora a técnica, ele tem muito bom gosto também. Ele defende que a ecleticidade leva a pessoa a ter mais conteúdo na hora de compor uma música. Abriu os olhos da gurizada, que provavelmente só escutam metal o dia todo. Comprovando a tese, tocou uma versão heavy de brasileirinho. Impagável.
Após a demonstração foi aberto espaço para perguntas. Mais um ponto para Aquiles. O cara trata os fãs como ninguém. Conversou, incentivou, chegou a cortar um fã chato que fez uma pergunta ainda mais chata, e foi ovacionado por todos na sala. Depois de tudo isso disse: “Vou ficar aqui até o último caxiense tirar uma foto e pegar um autógrafo.” O cara merece mesmo tudo o que ele conseguiu.
Depois de muito tempo atendendo todos os fãs, fomos jantar. Todos. Holds, eu, Aquiles, um pessoal que ajudou a montar e a desmontar as milhares de peças da bateria gigante e as organizadoras do evento. Infelizmente, o que acontece nos bastidores, fica nos bastidores. A única coisa que posso dizer é que dei risada a noite inteira, o cara é muito gente fina. Contou inúmeras histórias hilárias que acontecem nas turnês. Como um bom gaúcho diria, tri legal. E os holds são uns heróis. Foram deitar às 4 horas e tinham que acordar às 7 e dirigir mil quilômetros. Tem que gostar muito do que faz. Acho que até eu sai de lá gostando de metal.

enviada por Law






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